sexta-feira, 5 de maio de 2023

PROFESSOR DIDI: SINÔNIMO DE INTELIGÊNCIA E SIMPLICIDADE

 

    O filho prodígio de seu José Luiz Duarte e dona Cecilia Celestina Duarte (falecidos), nasceu no dia 05 de fevereiro de 1953, uma quinta-feira na casa de seus genitores, na Rua 15 de Novembro (hoje Rua Enock Ignácio de Oliveira), um serra-talhadense nato, de nome Francisco de Assis Duarte.

    O nome Francisco Assis tem origem no Latim - Franciscus (o mesmo que franco, francês) que no franco latino significa Homem livre, pessoa criativa, mas impulsiva, os Franciscos são otimistas e generosos; de personalidade forte, tornando-se seguros o suficiente para serem independentes.

    “Meu pai teve duas famílias, da primeira esposa foram 11 filhos, destes ainda tenho a alegria da presença de Maria do Carmo (dona Lia) e Raimundo José Duarte (Papaê) e do segundo casamento somos cinco, sendo eu, o terceiro a nascer”. Pontua ele.

    O menino Didi estudou pertinho de casa, fazendo o primário no Grupo Escolar Solidônio Leite, e de lá foi para o curso ginasial no Ginásio Industrial Cornélio Soares, de onde seguiu para cursar o científico no Colégio Municipal Cônego Torres entre 1969 e 1972 com muita garra e determinação. Onde começou sua carreira como Professor de Inglês, logo que concluiu o Curso, em 1973.“Quando eu era menino gostava de subir na figueira da escola e pular de galho em galho, com meu irmão Pedrinho e outros colegas, numa dessas artimanhas caí do galho e fiquei estalado no chão, e as outras crianças estarrecidas a me olharem, mas eu me levantei, mesmo doído e fui pra casa, quando cheguei foi uma confusão danada… minha mãe muito aperreada, uma apreensão por parte dos meus irmãos, mas graças a Deus tudo passou de forma tranquila”. Relembra.

    Na década de 1970, dedicou-se ao estudo da Língua Inglesa com muita força de vontade, enfrentando todos os tipos de obstáculos e desafios de uma língua Estrangeira (a língua de Shakespeare e Lincoln), pela qual é apaixonado. Por não haver cursos na região naquela época, ele buscou o curso do IUB - Instituto Universal Brasileiro.    

“Quebrei muito a cabeça estudando só com as apostilas que vinham de São Paulo de 15 em 15 dias, eu tinha que estudar, ler muito as lições e responder todos os exercícios, enviá-los de volta respondidos e depois responder as provas no final de cada mês”. Relembra o professor Didi, e continua: “Foi um estudo por correspondência, e era bem difícil, eu tinha que me rebolar sozinho, apenas com o material que vinha pelos correios, me tornei um autodidata em língua inglesa”. Orgulha-se ele desse feito extraordinário.    
   
Cursou
Licenciatura em Letras na FAFOPST – Faculdade de Formação de Professores de Serra Talhada, onde trabalhou por 20 anos, logo após ter feito o Curso de Especialização na PUC – MG:
“Na universidade mineira, eu fui considerado por um Catedrático da instituição como um ‘Self - Taught Man’ um autodidata da língua inglesa”. Revela o professor Didi em sua simplicidade.

    “Fui professor no Colégio Municipal Cônego Torres, na Escola Methódio de Godoy Lima, pela qual tenho um carinho enorme, e por alguns anos ensinei no Colégio da Imaculada Conceição (a famosa Escola Normal), nestas escolas lecionava Inglês e Português com muita vocação e amor pela transmissão de conhecimentos aos educandos”. Comenta.

    Antes de ser o professor Didi, ele trabalhou na CONE uma companhia de engenharia, na qual prestou serviços como Auxiliar de Escritório entre os anos de 1975 e 1976. “Me casei em 1979 com Maria Aparecida e temos duas filhas: Cecília Rejane Duarte e Cíntia Regina Duarte, esta, me deu dois netos Antônio Gabriel e Andrey Miguel joias da minha vida”. Revela com satisfação.

    Além de lecionar inglês sua matéria preferida, ele, ensinava outras disciplinas para preencher a carga horária exigida de cada docente. “Eu aplicava aulas de Português, Filosofia, Religião e o que dava na telha. Não tinha comigo pé-quebrado, era polivalente. Hoje estou aposentado, gosto muito de ler, principalmente livros de filosofia, e vou aos sítios de meus parentes e amigos, onde fico contemplando a natureza, as árvores e pássaros…” Nos conta com ar sereno de quem gosta do que faz.

    

    Sobre seu lado poeta/escritor ele nos fala: “Não tenho livros publicados, contudo compus alguns poemas que estão na Antologia SELECTA DE POESIAS da Academia Serra-talhadense de Letras, livro publicado em 2007, são eles: A Igreja e o Botequim, A Árvore Venenosa e Simplicidade; outro poema meu é Maria, que junto as duas últimas citadas estão na Antologia de 2019, também editada pela ASL O SERTÃO… EM PROSA E VERSOS”.

A IGREJA E O BOTEQUIM

A Igreja é fria, a igreja é fria,

Mas quente e agradável é o botequim.

Só eu sei o que me agrada, só eu

Mesmo quem assim não pense o Céu.


Se na Igreja nós pudéssemos beber,

E o vinho a nossa alma deleitasse

Cantaríamos e rezaríamos também,

Já que nada lá fora nos atrairia.


O padre pregaria e com a gente beberia:

Qual pássaros, contentes nós seríamos,

Certa mulher vil que lá sempre está,

Pequenos inocentes não espancaria.


E Deus, como um pai feliz de ver

A sua semelhança filhos contentes,

Com o Diabo não mais discutiria,

O alimentava e depois o vestiria.


    “A Academia Serra-talhadense de Letras, é a única entidade que faço parte, e gosto de frequentar as reuniões e atividades que realizadas vez por outra. A ASL é formada em sua maioria por colegas de profissão, sou o titular da cadeira 39, tendo como patrono o pernambucano Mauro Mota (1911-1984) que foi poeta, jornalista, cronista e professor, o qual foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a Cadeira nº 26”. Pontua o nosso entrevistado.

    Pergunto sobre as atividades que realiza atualmente e ele prontamente responde: “Leio bastante, principalmente filosofia, inclusive estou escrevendo textos nessa linha, e curto muito os meus netos, os momentos com eles são sempre benéficos, então aproveito ao máximo”.  

    Professor, quais são suas considerações finais? “Quero deixar uma mensagem para as novas gerações: procurem ler bons livros, conteúdos que os edifiquem, e peço que se comprometam com uma sociedade mais progressista. Para as novas gerações de educadores que formem jovens mais pensantes. se liguem menos nessa tecnologia massificante e fujam da mídia sensacionalista e de outras coisas nocivas e vãs presentes na atualidade”. Conclui Francisco de Assis Duarte, que tem como único ídolo Jesus Cristo, e é admirador do filósofo grego Sócrates (470 – 399 a.C.) o qual revolucionou o pensamento ocidental.


segunda-feira, 24 de abril de 2023

PROJETO PAJEÚ FREVO CHEGA AO BAIRRO MULTIRÃO COM AULAS DE INICIAÇÃO AO FREVO

 

Visando descentralizar o ensino da dança do Frevo, demonstrar sua musicalidade e variação de passos, o projeto Pajeú Frevo proporciona ao público participante conhecer a história do Frevo, patrimônio Imaterial da Humanidade reconhecido pela UNESCO em cerimônia realizada na cidade de Paris, França no ano de 2012. Na perspectiva de democratizar o acesso ao Frevo, ampliando a oferta de atividades culturais, na busca de reconfigurar o olhar sobre os espaços públicos, possibilitando, a partir de uma mudança da rotina habitual do espaço, o encontro da comunidade com afazeres artísticos, através de aulas de iniciação a dança do Frevo para crianças e adolescentes do município de Serra Talhada, sertão do Pajeú, no Centro de Convivência e Fortalecimento de Vínculos - SCFV do bairro Multirão.

As Aulas acontecerão a partir do dia 26 de abril sempre às quarta e quinta, das 9 – 11h e na sexta das 17:30 – 18:30h, sob a orientação do Passista e Professor Gil Silva - conhecido como GIL do PASSO, que usa a metodologia desenvolvida por Nascimento do Passo, com quem estudou e trabalhou entre os anos de 1996 e 2009 na Escola de Frevo do Recife.

Nascimento do Passo contextualizou o Frevo e suas variações em famílias e modalidades, nomeando passos e percebendo particularidades e semelhanças. “Esta é mais uma ação de salvaguarda do Frevo, nossa intenção não é formar apenas pessoas habilidosas na dança, mas sim, e principalmente, pessoas comprometidas com a divulgação desse bem cultural, tão pernambucano quanto nós”. Argumenta Gil.

Aumentar o número de praticantes da dança do Frevo na terra do Xaxado, e levá-los a conhecer sua história e complexidade é missão de Gil do Passo a mais de 27 anos, desde quando foi chamado por seu mestre Nascimento do Passo aos estudos sobre a dança na Escola de Frevo do Recife, passando por apresentações em diversas capitais e cidades do país, até sua chegada em Serra Talhada, onde desde 2015 realiza atividades formativas com o Frevo, onde já formou muitos passistas e multiplicadores do passo.


O projeto Pajeú Frevo tem o incentivo do FUNCULTURA/FUNDARPE – Secretaria de Cultura/Governo de Pernambuco, possibilitando a gratuidade de suas ações, tendo como público alvo crianças e adolescentes, incluindo acessibilidade para surdos com a presença de Interprete de Libras e contribuindo para a desvinculação da prática da dança do Frevo apenas no período carnavalesco. “O projeto Pajeú Frevo oportuniza também, o despertar de novas vocações para a dança e a formação de novos grupos artísticos que possam contribuir com o trabalho de salvaguarda do Frevo”. Finaliza o Professor e Produtor Cultural Gil do Passo.


Por Carlos Sett

Assessor de comunicação do Projeto


quarta-feira, 12 de abril de 2023

HÍCARO NOGUEIRA: SETE ANOS TRILHANDO OS CAMINHOS DAS ARTES E DOS ESPETÁCULOS

         O jovem artista Hícaro Nogueira festeja esse mês de abril sete anos de atividades artísticas, se destacando como ator, produtor cultural, roteirista, dramaturgo, diretor cênico, diretor de fotografia, editor de vídeos e filmes, dentre outros serviços no meio artístico serra-talhadense desde 2016.

    Sua formação acadêmica é Letras (Português e Inglês – Licenciatura), a qual termina justamente neste mês, e muito tem contribuído com a sua escrita, que vão desde poemas e frases, a roteiro de filmes e peças de teatro, com manifestos políticos, além de atuações memoráveis como o personagem "Y" no Drama “Voar é Com os Pássaros” pela Equipe Teatral de Serra Talhada, ao "Filho", sem nome, no Curta de sua autoria "P.S.", uma ficção científica apocalíptica, ambientada em 2030.

“Quando no ensino médio eu disse que queria ser ator/artista, houve colegas que riram de mim, assim como duvidaram de outras realizações, as quais tenho conquistado… no momento, apenas silenciei. E hoje, junto ao Carlos Sett na ETEAST Produções Artísticas, já me apresentei do sertão ao litoral, e também na cidade de Barbalha-CE, fora o alcance que tive com os filmes: "A Nona Cidade", "P,S.", o seriado "Ambrósio e Filomena", dentre outros. Recorda ele e acrescenta: “Meu primeiro trabalho artístico foi no curta-metragem ‘Um Homem Sem Sorte’, em 2014. Comecei ali, mas mergulhei mesmo na arte em 2016 a partir de uma oficina do projeto Cinema no Interior. Conclui.

Aos 25 anos de vida, sim, ele é bem jovem na idade, porém, seus feitos são gigantes e têm um alcance absolutamente positivo, levando-o a realizar projetos e sonhos que não julgava concretizar tão cedo. “Trabalhar com Hícaro é ter por perto um ser iluminado e cheio de talentos, aprendo tanto com ele. Quero ainda fazer muitos filmes com ele, e também séries como é o caso de ‘FOI NOS ANOS 80’, que ele pretende gravar em breve.” Se expressa a atriz Dorotea sobre o artista.

        O artista de notável saber, vem construindo seu currículo artístico com participação em diversas oficinas e cursos, dos quais ele cita: “Oficina de interpretação através do projeto ‘Cinema no Interior’ pela MontSerrat Filmes (2016), que culminou com minha participação do filme A Nona Cidade; Curso de formação em palhaçaria ‘E o palhaço o que é?’, da Cia. 2 Em Cena; Oficina de Dramaturgia da 11ª Mostra de Teatro de Serra Talhada (2018); Curso de Iniciação ao Teatro com foco na Dramaturgia de Osman Lins (2019/2020), que teve como resultado a peça de Osman Lins ‘Milagre das Figuras de Barro’, dentre outros”. Pontua Hícaro, que ora se prepara para um novo desafio no espetáculo “O Massacre de Angico – A Morte de Lampião”, no qual atuou entre 2017 e 2019, e este ano retorna ao elenco em um novo personagem.



terça-feira, 7 de março de 2023

DE PROFESSORA POLIVALENTE À MESTRA CONCEITUADA NA FAFOPST, MARLUCE SIMÕES É UMA PESSOA DIGNA DE NOTA 10

    Sobre sua chegada ao mundo, Maria Marluce Simões de Medeiros diz: “Aos pés da Virgem da Penha e ao sopé da grande SERRA, nasci aos nove dias do mês de junho do ano mil novecentos e quarenta e três, em Serra Talhada.

    Filha de Domingos Rodrigues de Carvalho e de Beatriz Simões da Silva; éramos seis irmãos, porém três morreram antes de um ano de idade, ficamos Maria do Socorro, eu e Jurandi (in memorian). Sou o filho de número quatro”.

    Marluce - que quer dizer: Mar e Luz, e assim como a vastidão do mar e o gigantesco alcance da luz, Marluce é imensa no ser e nos feitos. Foi aluna de escola pública e sempre procurava se destacar, principalmente em mensagens e redações sobre qualquer assunto.

    Desde a mais tenra idade sonhava em cursar Advocacia, mas as condições financeiras eram poucas, o que a levou a mudar de rumo logo no início da vida estudantil. Seu antigo primário foi no Grupo Escolar Solidônio Leite, até a 4ª série… “a professora que me incentivou ao magistério foi dona Dorinha Policarpo”. Menciona.

    Ao pedir que nos conte um fato curioso ou engraçado da sua infância ela relata:
“a fim de comprar materiais escolares diferentes, por exemplo: só existia borracha ponteira, e surgiu a borracha nova de 2 cores (vermelha e azul) que apagava lápis e caneta. Para obtê-la, confeccionei roupas de bonecas, sapatos e bolsas para as colegas de ‘posse’ (meninas de funcionários da COLIER) e as filhas de comerciantes como Mariluce Carvalho, como saldo ganhei uns trocados e comprei a sonhada borracha para mim e para meu irmão Jurandi, o caçula da família. São tantas lembranças que só recordo o quanto cresci como ser humano por ter enfrentado tantas barreiras, e venci com garra e determinação”. Relembra.

    O Exame de Admissão, o vestibular da época, ela fez no final do ano de 1954, porém ele, só iniciaria aos estudos seguintes (a Escola Normal para meninas e o Cônego Torres para os meninos), se fosse aprovado, ela passou de pronto e, estudou na famosa Escola Normal Imaculada Conceição de 1955 a 1958.

    A sua formação de Professora do 1º Ciclo foi concluída na cidade de Belo Jardim – PE no Colégio Nossa Senhora do Carmo, onde veio a se formar em 1959, aos 16 anos e 6 meses, não podendo assinar o diploma (isso só era possível quando completasse 18 anos).

    Já professora polivalente ensinado na zona rural, mas com sede de conhecimento e assim, crescer profissionalmente, volta para sala de aula na Escola Normal Cônego Tôrres em 1964 e 1965 para concluir o 2º Ciclo como Professora Primária.

    Parar de estudar nunca esteve em seus planos, por isso em 1976 prestou Vestibular em Vitória de Santo Antão-PE para cursar a Licenciatura Curta em Língua Portuguesa. “Depois fiz a Licenciatura Plena em Arcoverde em 1982, já em 1984 cursei a Pós-Graduação em Língua Portuguesa ‘lato senso’ na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - Belo Horizonte”.

    Na sua formação acadêmica ela têm participação em capacitações, seminários e fóruns com temática docente. Ao perguntar sobre outros cursos, ela responde: “tenho o de Curso de Teologia para Leigos concluído em 2009; Curso de Ministra da Palavra em 2015 e o Curso de Formação Fé e Política no ano de 2020, realizados pela Paróquia Nossa Senhora do Rosário da Diocese de Afogados da Ingazeira”. Nos conta Marluce sobre sua formação.


    “Em 1960 fui lecionar no lugar de Dona Vera Regalado na residência do Sr. Antônio Dionísio por 2 períodos em Caiçarinha da Penha, aí ganhei a afilhada Isa, hoje a doutora pediátrica Isabel ‘Caiçara’. Em seguida, passei uns 2 anos no bairro Borborema”. Relata sobre o início de sua carreira profissional como normalista.

    Surgiu então, o “Plano Piloto de Erradicação do Analfabetismo” relembra nossa entrevistada que voltou a dar aulas na zona rural: “Fui lecionar em São João dos Gaias, nas casas do Sr. José Higino e do Sr. Luiz Gaia. Aí demorei sete anos. Bonzinho Magalhães e Vilmar Gaia foram (alguns) alunos dessa época”. Pontua, e acrescenta: “como professora polivalente, reconheço que não só ensinei, como também, aprendi ‘coisas que não me ensinaram nas Faculdades por onde passei’, o amor à terra, a luta obstinada pela sobrevivência, a fé inabalável em Deus e o reconhecimento de cada individuo como um irmão”. Enfatiza a professora.

    Passados sete anos, foi transferida para o Grupo Escolar Antônio Timóteo e depois para a Escola Cornélio Soares, que funcionava onde hoje é o Banco do Nordeste – BNB. Giovana Pereira e Hermógenes Simões foram seus alunos nesse período.

    Em seguida, leciona no Ginásio Industrial Cornélio Soares (prédio atual), depois de um tempo foi transferida para o Centro de Educação Rural Methódio de Godoy Lima: “Fui uma das professoras-fundadoras dessa escola na qual me aposentei, encerrando meus vinte e oito anos de regência em salas multisseriadas e em salas normais como professora estadual. Estudaram comigo nesse tempo Magno Melo e Socorro Padilha”. Registra.

    Via de regra, casou-se em 1967 aos 24 anos com Genilton de Medeiros Souza (in memorian) com quem teve dois filhos: Hermógenes e
Honiógenes de 56 e 54 anos respectivamente.

    Seu cônjuge faleceu precocemente em 19 de maio de 1980 com apenas 38 anos. Passados oito anos do falecimento do seu esposo ela adotou a menina Chiara Adriana. “A família cresceu e hoje tenho sete netos biológicos: Pricila, Hémerson, Luiz, Stefany, José Heittor, Gustavo Enrico e Ian Gabriel, e mais três de coração que a vida me deu: Arthur, Breno e Beatriz. Puxando a quarta geração chegaram os bisnetos: Rhamom, Rhana, Rhuana e Rhuan”. Conta com orgulho a matriarca.

    Quando e como aconteceu sua chegada na Faculdade de Formação de Professores de Serra Talhada? “Recebi um convite em 1983 da então diretora Srª. Solange Nunes de Souza Oliveira, para fazer parte da Congregação da FAFOPST, onde cheguei ao limite como docente, trabalhando com quase todas as cadeiras do Curso de Letras”.

    Seus serviços em prol da educação serra-talhadense são notáveis, tanto é que a mesma diretora, acreditando na responsabilidade e no compromisso que a professora Marluce Simões demonstra com a Educação, fez-lhe outro convite: acumular as cadeiras de Língua Latina, Português e Literatura Latina, na Faculdade de Ciências Humanas do Sertão Central de Salgueiro de 1986 a 1988.

    “Em um período de três anos ampliei meus conhecimentos acadêmicos, e mais, conheci gente nova, como Marilu Leal e outras, convivi com diferentes realidades, armazenei mais experiências de vida”. Comenta ela sobre mais essa empreitada educacional.

    Fazendo jus ao significado de seu nome, ela acumula funções profissionais e na vida cotidiana: mulher estudada, dona de casa, esposa, mãe, avó, costureira, confeiteira, cuidou com zelo da sua mãe, que viveu por 105 anos, bisavó, cristã leiga com atividades na Igreja em diversos serviços e pastorais.

    A
lém de professora comprometida, considerada o “doce de coco em jejum da FAFOPST”, porque cobrava do aluno retorno de conhecimento, presença nas aulas, participação nos fóruns simulados, pesquisa de dados, provas escritas e apresentações de trabalhos. “Sargento Roberto Teles e Cidinha da Via Brasil dentre outros, foram alunos universitários desse tempo”. Registra a mestra.

    “Hoje eles sentem o resultado dessas exigências. São profissionais em diversas áreas na sociedade, colhendo os frutos das sementes que plantaram e que cuidaram com responsabilidade. Todos devem crescer pelos próprios méritos, sem trampolins políticos que são hoje da situação e brevemente da oposição”. Justifica seu posicionamento profissional.

    Continuando a descrever seu currículo de professora, ela nos conta: “fui uma das fundadoras do Colégio de Aplicação da Faculdade de Formação de Professores de Serra Talhada - CAFAFOPST, por indicação do saudoso diretor e professor o Sr. Clóvis Nogueira Alves, até a gestão da Srta. Veralúcia Pereira de Sá. São alunos dessa época o Dr. Aílo Sérgio e Andréa, filha do professor Geraldo”.

    Ainda na FAFOPST/AESET, ela foi eleita pela Congregação (Colegiado de Professores) para ocupar o cargo de Chefe do Departamento do Curso de Letras por 2 anos e reeleita por mais 2.

A sua aposentadoria pela Secretaria Estadual de Educação veio em 1988, continuando na ativa na FAFOPST/AESET até 2003. “Também ensinei na Escola Pequeno Príncipe de propriedade do casal Bonzinho Magalhães e Dalma Régia, como exemplo de alunos tenho Rafael Mourato e Paulo André Magalhães.

    Trabalhando apenas à noite na FAFOPST, a inquieta e prestativa professora monta na sua residência a Escolinha de Reforço, que preparou durante 13 anos, adolescentes para cursos de vestibular, escola técnica e concursos públicos comprovando o exposto ela cita os alunos Felipe Barros (PRECON) e Marcos de Vanduí Melo.

    “Ao todo, em escolas rurais e urbanas, particulares, públicas e Faculdades colaborei com a Educação num período de 45 anos ininterruptos manhã, tarde e noite. Encerrei a carreira do Magistério com a mesma responsabilidade do início, conscientizando o aprendiz de que o diploma deve ser o reflexo do conhecimento e da ética profissional, caso contrário é uma arma na mão daquele que não sabe lidar com ela”. Pontua a experiente Mestra.

    “Não tenho uma história interessante, nem feitos faraônicos, tenho histórias de superação. Passaram por mim, alunos de todas as classes sociais nas faculdades e outros cursos, porém os de menos posses, eram sempre os mais esforçados: formaram-se, foram aprovados em concursos e trabalham como profissionais liberais, autônomos e em repartições públicas, por exemplo, o aluno Tadeu, da cidade de Flores que chegou a um patamar expressivo publicando livros, inclusive gramáticas”. Referencia a professora Marluce Simões.

    “Já no meu caso, dos diplomas que conquistei ao longo dos anos, os que mais me marcaram foram o de ser mãe, avó e bisavó”. Orgulha-se.

    “Nestes 45 anos de serviço à causa educacional, apesar das ‘n’ mudanças, acredito, piamente, que só através da EDUCAÇÃO é que o homem descobrirá o valor de Deus; conhecerá a si mesmo; reconhecerá a importância do outro; protegerá a Natureza; conciliará tecnologia e ecossistema; terá acesso aos seus direitos; cumprirá seus deveres; respeitará às leis; crerá na força da terra; desarmará as Nações; valorizará o seu Pais, enfim, usufruirá dos HUMANOS DIREITOS”. Sentencia.

    Inquieta, repleta de sonhos e desejando aproveitar a melhor idade, bem antes de completar seus 60 anos, em 1998 funda, com a Srª Josefa Farias Leão, conhecida por Zefinha de Fortunato (in memorian), o Grupo Folhas Outonais para bem viver a tão almejada Terceira Idade.

    Atualmente o grupo se chama Associação Folhas Outonais, com identidade jurídica, sede própria e conta com 37 associados. Realiza atividades físicas, danças, coral, banda marcial, artesanato, dramatização, palestras (formativa e informativa).

    O objetivo maior é aceitar a velhice como ciclo natural da vida, seguindo a máxima do poeta Dedé Monteiro: “a idade boa é a que faz bem ao dono dela”.

A poucos meses de completar 80 anos, Marluce tem ainda: “muita lenha para queimar”, além das atividades e eventos da Associação Folhas Outonais, atua como Ministra da Palavra pela paróquia Nossa Senhora do Rosário da Diocese de Afogados da Ingazeira. Foi eleita Presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa de Serra Talhada por 04 anos, prazo estendido por conta da pandemia do Coronavírus.

    Maria Marluce Simões de Medeiros é membro fundadora da Academia Serra-talhadense de Letras, onde honrosamente ocupa a cadeira de número 16, tendo como patrono o poeta carnaibense Zé Dantas.

    Possui textos de sua autoria, publicados em três coletâneas da ASL: “Selecta de Poesias” em 2007; “Rastros de um Decênio” em 2009 e na Antologia “O Sertão em Prosa e Verso” em 2019; no “Villa Bella Jornal” e no extinto “Jornal Juntos como Irmãos”, da Paróquia do Rosário no qual foi colaboradora.

    “Faço revisão de livros de autores locais e circunvizinhos, prefaceio obras literárias e ainda sonho em reunir em uma coletânea minhas mensagens, contos e poemas, frutos de momentos de reflexão e ‘registros’ de datas especiais”. Menciona.

    Na juventude, ela iniciou aulas de Acordeon com o professor Napoleão da cidade de Floresta, sonho interrompido por problemas conjugais, mas que foi acalentado, e agora ele volta com toda força para superar as mazelas deixadas pela chikungunya e pela Covid-19, com o professor Arnor de Lima, o que a faz tocar umas notas na sua antiga sanfona de 80 baixos, presente de seu saudoso pai.

    Que mensagem deixa para as novas gerações de professores e literatos? “Os pais educam, os professores abrem caminhos para os alunos, conscientizando-os de que cada um escreve sua própria história. São protagonistas de seus sonhos e cabem-lhes traçar metas, e direcionar sua sabedoria no Espírito Santo, garra para transpor obstáculos e coragem de águia para alçar voos.

Valorizem-se pelos profissionais que são; acreditem no potencial que Deus lhes presenteou. Nos locais de trabalho, lembrem-se de que lidam com “gente” e não com “coisas” Elogiem seus colaboradores, corrija-os com misericórdia. E se errar, que não é difícil, humildemente, reconheça o erro e procure corrigi-lo com transparência sem usar máscaras nem subterfúgios. Assim, vocês, educadores, se sentirão “gente que precisam de gente para serem gente”.

Para os literatos – os únicos indivíduos que se comunicam com palavras (sons articulados), somos nós, seres humanos. Além desse privilégio, contamos com outro: falamos a língua mais rica, a Língua Portuguesa, pois a “Última Flor do Lácio” se presta para tudo: é leve, é harmoniosa, é versátil. De posse desses dois pré-requisitos, o literato conta com a veia poética. Daí as sílabas, as palavras, as frases, os parágrafos, o texto no contexto, “o artífice da palavra” exterioriza seus sentimentos e os materializa em sonetos, glosas, versos livres e tantos estilos para deleite de tantos amantes da palavra escrita.

Pouco importa que a produção seja de ontem, ou de hoje, advinda de iletrados ou de clássicos, de crianças ou de idosos, da roça ou de centros de 1º mundo, todos têm o seu valor, a sua utilidade e o seu público mediante a sensibilidade de cada leitor”. Finaliza.


Por Carlos Sett

Fotos digitalizadas por Gilberto Gomes

quarta-feira, 1 de março de 2023

AULA ESPETÁCULO “SERTÃO FREVO: EDUCAR PARA PRESERVAR” SERÁ APRESENTADA EM MAIS QUATRO ESCOLAS

 

“SerTão Frevo: Educar para preservar”, aula espetáculo do passista e professor de Frevo Gil do Passo, que consiste em atividades de educação patrimonial sobre o mais pernambucano dos ritmos, acontece nesta quinta-feira, 03 de março na EREM Oliveira Neto em São José do Egito, na sexta-feira, dia 02 – será apresentada na Escola Raimundo Gomes, na Fazenda São Miguel – zona rural de Serra Talhada, no dia 15 será a vez da Escola Estadual Francisco Pires de Mirandiba. e dia 17 a Escola de Referência em Ensino Médio Jatobá, da Cidade Petrolândia recebe a equipe para mais uma apresentação.

“Levamos a metodologia do mestre Nascimento do Passo, o qual defendia que era preciso inserir o Frevo no currículo escolar, de modo que esta manifestação artística tão diversa, não fosse esquecida pelas gerações futuras”. Comenta o passista. O projeto garante acessibilidade para estudantes com deficiência auditiva, por meio de interpretação do português para a Libras, e conta com o incentivo do FUNCULTURA/FUNDARPE – SECRETARIA DE CULTURA – GOVERNO DE PERNAMBUCO.